quinta-feira, 19 de junho de 2008

Turku em finlandês, Åbo em sueco

Em jeito de recta final, tenho dedicado mais tempo a esta terra que tão bem me tem acolhido.
A última saltitada foi até Turku, que fica situada na parte oeste da Finlândia. Daqui partem ferrys para toda a Escandinávia, sendo a principal porta de ligação com a Suécia. Devido à história e à proximidade, a influência sueca é notável nesta cidade, desde a população até às indicações e letreiros que se encontram sempre nas duas línguas. O nome da cidade em sueco Åbo, que significa residência no banco do rio, traduz de uma forma literal o efeito que nos dá a cidade. As principais atracções históricas são o Castelo de Turku contruído em 1280, onde se pode admirar um pouco da história da Finlândia e de todos os povos que por aqui passaram e a Catedral também contruída no sec. XIII, que é uma das igrejas onde melhor se pode admirar a influência católica que por aqui reinava antes de se converterem ao protestantismo. A caminhada entre os dois monumentos, sempre à beira rio, mostra-nos o que melhor tem esta cidade, que já foi capital da Finlândia e segunda principal cidade do reino escandinavo, mas que agora se fica apenas pela quarta maior finlandesa, não retirando isso a sua importância especialmente histórica e estratégica.






















A minha ida a Turku deveu-se também a ter sido convidado para uma festa de fim de curso, onde não faltaram vários tipos de comidas típicas sempre a base de carne de rena, salmão e peixe do báltico, com todas as pessoas vestidas a rigor e com actuações musicais de qualidade, oferecida pelos amigos, pois é tradição oferecer-se um presente neste dia.
Mas que dia bem passado.....





sexta-feira, 6 de junho de 2008

Aveiro, Portugal


Aveiro, my hometown!!




Voltar às raízes, saborear tudo aquilo que nos constitui, física e psicologicamente, o que foi a base e passa agora por um pilar forte que me sustem nos dias de maior tempestade e possíveis terramotos. De uma maneira mas corriqueira, diria “recarregar baterias”. Foi isso que aconteceu no último fim de semana. Dei uma saltitada até Portugal, até a bonita Aveiro, também apelidada por vezes por Veneza de Portugal. Desta vez, não apareceu com todo o seu esplendor, o S. Pedro estava zangado por estes dias, e a menina dos meus olhos estava com aspecto triste e melancólico, mas mesmo assim não suficiente para me desanimar, pois no fundo, seja qual for o modo como se apresenta, eu sei, muito bem, onde procurar as pequenas riquezas e tesouros que se ocultam por esta terra que se confunde com os canais que trazem a brisa do mar e o vento que sopra por vezes da montanha que se pode avistar bem ao fundo da longa planície aguada, onde a salgada e a doce nunca se mistura, embora uma não consiga viver sem a outra.
“Está vento de nordeste! Amanhã teremos bom tempo” dizem os mais entendidos e experientes.
O que importa??? Faça chuva ou faça sol, nada destorna o sorriso e olhar cintilante de uma mãe que com surpresa vê o seu procedente a entrar pela porta, nada destorna um abraço forte de um verdadeiro amigo, nada destorna uma boa mesa composta com uma boa conversa à mistura, nada destorna a palavra e força de um pai....
Neste post decidi colocar algumas fotos da minha cidade. Seja por estrada, comboio ou por mar, é muito fácil encontrar, a terra onde os ovos moles continuam a reinar!



































terça-feira, 27 de maio de 2008

Helsinki, Suomi

Este fim de semana recebi a primeira visita vinda directamente de Portugal. O meu amigo António, também conhecido por Perú, resolveu, dar uma saltitada até a Finlândia. E nada como uma boa sauna, como fizemos na sexta, para se sentir que se está na agora verdejante Suomi.



Aproveitando a sua companhia, fui visitar Helsinquia, de uma forma mais turística. O sol brilhou durante todo o fim de semana, o que melhorou a qualidade do passeio.
Sendo a capital do país e a maior cidade, fica situada bem na parte sul, com as varandas viradas para o Báltico. Embora com bons exemplos de arquitectura, não se pode dizer que seja uma cidade imponente como a maioria das capitais europeias, aliás é a segunda capital com menos população, apenas contando com cerca de 600 mil habitantes. A sua história também não ajuda, pois enquanto pertencente aos Suecos, nunca teve o desenvolvimento desejado e sempre foi deixada para segundo plano. Com a conquista da cidade pelos russos durante a guerra Finlandesa, a cidade sofreu um grande desenvolvimento, ficando a ser a capital do país. Alguns dos edificios mais imponentes são a Catedral da cidade que fica na bonita praça do senado, o edificio do Parlamento e o Museu Nacional da Finlândia.













Claro que toda a zona costeira torna a cidade bonita, pois esta está de frente para o Báltico. Perto da costa está a ilha de Suomenlinna, que tem uma fortaleza, mandada construir pelos suecos,património Mundial pela Unesco e é um belo sitío para se dar um passeio de barco e depois a pé ao redor de toda a ilha admirando as casas de madeira e arquitectura que a caracteriza, assim como as vistas que nos oferece sobre o Báltico a partir dos seus pequenos montes. Definitivamente um sitio a não perder, numa bela tarde de sol.















De regresso a Tampere e para acabar o dia em beleza e em sintonia com os finlandeses, nada como uma festa com o tema Festival Eurovisão, onde os típicos “drinking games” com regras bem definidas não faltaram... “Mudaram de roupa..temos de beber!!” Só na Finlândia.... no final os finlandeses ficaram tristes, pois desta vez a sua representação rock não pegou como no passado com os Lordi, e o principal objectivo que era ficar à frente da Suécia não foi conseguido. Eu, que já não via o Festival há anos, devo admitir que fiquei contente com a nossa representante Vânia, com uma boa voz, mostrou que para ganhar pontos não se precisa de ter algumas partes de “plástico”, como muitas das concorrentes apresentaram. Mas enfim o prémio lá foi para a Rússia, sorte que tem muitos vizinhos para votar...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Venha a mim o vosso mundo!!!

Uffff...sinto-me cansado, mas não desanimado, muito pelo contrário. Finalmente começo a ter aquela azáfama diária que tanto procuro e que tão bem me caracteriza. Não tenho
tido tempo para parar sequer, ando numa agitação constante, mas feliz. Em termos profissionais cada vez me sinto mais integrado, o que aumenta a responsabilidade e carga de trabalho. A nível pessoal vou complementando o meu tempo, a minha presença começa a ser requisitada em programas diversos o que é óptimo, pois estou aqui há pouco mais de dois meses.
Com esta movimentação toda por Tampere por vezes perco aquela vontade de viajar. Mas como se diz na sabedoria popular, se o Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé. Pois bem foi assim que eu “viajei” este fim de semana, sem sair de Tampere.


Assim a viagem começou em Itália, com um cheirinho a França. Passo a explicar... há um ano atrás conheci um italiano chamado Diego, em Bordéus. Passámos 5 semanas juntos pois estávamos na mesma formação. Entre viagens e jantares, foi das personagens mais divertidas que já encontrei. Por coincidência a semana passada ele esteve cá, recordámos os bons tempos passados e fomos actualizando o “livro” com mais algumas passagens. É sempre a partir a rir quando se tem este personagem por perto..



Na sexta alojei a Katha, uma das alemãs que conheci em Tallinn, mais um casal alemão amigos dela. Fomos ao Plevna, um sitío muito bom onde produzem a sua própria cerveja, seguindo a receita alemã e onde se podem comer as melhores salsichas da cidade.
Era o aniversário da amiga da Katha, então decidimos ir a casa e à meia-noite cantar os parabéns, em inglês, e também em português. As velas eram improvisadas com o que lá tinha por casa, o bolo eram brownies que a Elsa me tinha trazido dos Estados Unidos e para regar Vodka Russa. E viva a paz mundial, e os povos em confraternização....
Nessa noite tive de inventar espaço para colocar 4 pessoas no meu pequeno estúdio....pensava eu! Até que já estava quase do lado de lá, quando me liga a Elsa, a minha mana mais velha tuga que por aqui anda perdida como eu. A Elsa, alfacinha, é freelancer e está a trabalhar na Metso Minerals, uma outra secção da empresa onde estou. Para eu dizer que é mana já estão a ver... finalmente encontro uma tuga que não me vem com o pessimismo e lenga lenga do costume, com ideias detalhadas que valem a pena ser ouvidas. Talvez porque também tenha viajado imenso, os horizontes tornam-se muito mais longínquos, mas a visão acompanha no crescimento, ficando cada vez mais aprumada. É assim mesmo, precisamos é de ir à luta e andar para a frente. A Elsa tinha perdido a chave de casa e não sabia para onde ir. Bem, como tradição de família, a minha casa sempre foi a casa do povo. Continua a ser por aqui, mas é assim que eu gosto e me sinto bem. No fim acabámos por ser 5, mas ninguém deixou de dormir ou ficar pela rua!!





No sábado, a continuação. Eu e a Elsa, já que nos levantámos e andávamos perdidos todos tarantas, pensámos “ E porque não fazer uma tarde tuga??” Ora e em que consiste uma tarde tuga? Muito básico, comer e beber..mas com qualidade. Fomos ao mercado comprámos barriga ou entremeada (como queiram)e umas costeletas, pão tipo triga e uns morangos bem fresquinhos. Depois de comprar o grelhador e temperar a carne “à minha moda”, fomos até às margens do lago e matámos a barriguinha de misérias, acompanhado por um tinto, que era espanhol mas ainda trazia uns ventos de Portugal.





À noite, uma viagem perfeita até a Jamaica. Fui assistir ao concerto dos Skatalites, grandes dinossauros do Ska, que tocaram com nomes como Bob Marley ou Jimmy Cliff. Numa noite quente, nem parecia que estávamos na gélida e fria Finlândia. Com ritmos de Ska, Rock Steady e Reggae, os Skatalites foram variando ao longo do reportório e aquecendo as almas dos cerca de 200 espectadores que iam dançando, sempre de sorriso na boca, como manda a cultura que os Skatalites transportaram na sua bagagem. Foi um daqueles que vai ficar para a história, já há muito desejado.









Domingo foi tempo de paz e algum trabalho e claro, preparação para mais uma semana de luta que se adivinha.