terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lima

Acordo com o mesmo ruído de fundo que adormeci.. os som dos carros a buzinar!
É impressionante o parque automóvel desta cidade. E ainda mais impressionante é pensar que 80% são taxis. Saio há descoberta pela porta do Hotel Gran Bolivar e estou em pleno centro histórico de Lima, na Plaza St. Martin. No centro a estátua de José de St. Martin, grande impulsionador da independência peruana. Curiosamente, hoje estão-se a fazer os preparativos dos festejos da independência que se celebra amanhã, dia 28 de Julho. O que por um lado é positivo, pois a cidade está mais limpa, enfeitada e arrumada, torna-se negativo na porta da Catedral de Lima, pois encontra-se encerrada para preparação da missa. A Catedral encontra-se na Plaza Mayor, sem dúvida, um oásis neste deserto arquitectónico que se estende pelos arredores da cidade. Considerada pela Unesco como património Mundial, era o centro da antiga cidade colonial. Além da catedral, encontra-se aqui o Palácio do Governo e do Munícipio que cercam uma fonte em bronze que fica bem no centro da Plaza, que é o monumento mais antigo por sinal.






Entro numa outra igreja, a Iglesia de San Pedro. Parei um pouco, respirei fundo, reflecti, observei. O culto da igreja continua com muito forte presença por toda a América Latina. No Perú não é excepção. Várias pessoas rezam pedindo a Deus e aos seus santos por um dia melhor, outras enchem os confessionários pedindo perdão por dias e actos menos bons. Eu, limito-me a viver o meu dia, e como uma das coisas mais importantes da vida é a amizade está na hora de ir receber o Zé que chega directo do Rio de Janeiro (inveja..ehehhhe).



É estranho dar de caras com um amigo a mais de 1000Km de distância, mas no bom sentido. Venha de lá esse abraço que temos o munco Inca à nossa espera. Visitámos a Igreja de S. Fancisco e as catacumbas onde estão enterradas milhares de caveiras e ossadas humanas. Era o antigo cemitério da cidade.



Com 20 soles pagamos o táxi até Miraflores, parte moderna da cidade cheia de shoppings, teatros, escritórios, etc. Nada disto me fazia mover tão longe, além do Parque Kennedy e as esplanadas em redor, algo mais grandioso nos esperava no final da avenida..e como Magalhães o baptizou, assim ele se apresenta calmo e sereno, em tons de azul escuro devido ao céu nublado de Lima, mas com a imponência e respeito de ser o maior entre os maiores. Cheira a mar e o vento traz notícias de terras longínquas com as ondas a anunciar a sua chegada a costa. E que bem que sabe especialmente com esta vista mirar até bem longe este maravilhoso Pacífico. Num parque bem no topo da encosta encontramos um parque que pretende ter um ar do parque Guell em Barcelona. Designado por parque del Amor faz jus ao nome pelas esculturas e frases escritas que tem e pelos namorados que se encontram em cada banco procurando a melhor vista, que poucos parques no mundo se podem gabar. E com um olhar mais atento, como que a dar as boas vindas à minha primeira visita ao Pacífico, descubro um grupo de golfinhos que se divertem e curtem uma de ondas. O resto do dia foi para aproveitar as gastronomias e festas nacionais, entre elas não podia faltar uma parrillada e uns bons pisco sour, a verdadeira bebida peruana. Quando voltamos ao hotel descobrimos que dentro de 3 horas tinhamos de abalar...está na hora de subir aos Andes.








PS:Ainda bem que a minha estadia em Lima não durou muito tempo..acho que em breve me ir dar mal por estas bandas...

domingo, 19 de setembro de 2010

Aveiro - Lima

Acordei. São 5 da manhã e aqui estou eu no conforto deste ninho que tão bem me tem acolhido. Mas chegou a hora, e, depois de anos espera, pesquisa e aprendizagem o sonho teimou em tornar-se realidade e tive de seguir os meus impulsos. Para muito me ajudou o meu amigo Zé, que, para além do verdadeiro espírito de companheiro de viagem, vive em Buenos Aires e decidiu pôr-se a caminho e fazer uma viagem pela América do Sul. Como amigo que sou, não podia deixá-lo divertir-se sozinho. Parto com nostalgia e com muito sono..de Aveiro para o Porto, do Porto para Madrid, com todas as confusões de trocas de terminais habituais em Barajas. 14 h de viagem, mas com muito pouco sacríficio. Aproveitei para descansar e ler um pouco..mas após 12h começa a minha viagem verdadeiramente..o avião avança a baixa altitude e lá em baixo um manto de imenso e denso verde rasgado por linhas aleatórias que parecem não ter fim, funcionando como veias que transportam o líquido que dá vida a todo este espectáculo que surge bem debaixo dos meus pés. Uma destas artérias evidencia-se pela grandeza e pelo percurso que vai tomando. É o rio Amazonas que cruza toda esta selva apelidada de pulmão do mundo. Estamos quase a chegar a Lima, e em grande contraste a melhor paisagem fica para o fim. Está um sol radiante e estamos a passar por cima dos Andes. Devido a uma das minhas últimas leituras, fico a sensação que percorro por via aérea terras que Frodo galgou carregando o seu precioso. A imponência de todos estes montes, criam vales e desfiladeiros entre as suas sombras, enquanto a luz se torna dourada ao cruzar-se entre picos.


Ao meu lado, irrequieta e ansiosa, está uma peruana, que podia bem ter saído de uma daquelas bandas de flautas de pan que se apresentam entre praças europeias. O traço peruano é muito característico e difícil de passar despercebido. Trabalha numa pastelaria em Barcelona e visita os pais de 2/3 anos. Li algures que os peruanos eram muito patriotas, mas ali tive a grande confirmação...ao passar a barreira das nuvens, com Lima e o Pacífico bem ao nosso alcance, ela chora com ganas de saltar e agarrar a sua terra, que, com todas as virtudes e defeitos que testemunharei, é o seu lar, é o seu berço e seu refúgio. Como a entendo...
Para testemunhar alguns dos defeitos deste país de 3 faixas (deserto na costa, montanhoso no meio e selva nas fronteiras) não demorou. Vou num táxi a 20min, ainda não andei um único Km e já tive a sensação que ia ter um acidente 5 vezes. Mas há que continuar no jogo e jogar com as regras da casa, que neste caso quase não existem. Que caos de tráfego. Lembrei-me que a 2ª circular e do IC19 afinal eram um paraíso. Depois de uma hora, milhares de buzinadelas, dezenas de cruzamentos sem semáforos, milhares de carros todos rebentados, na sua maioria táxis, e uma boa conversa com o taxista, descubro que estamos quase..Ainda há tempo para autocarros onde as pessoas se agitam na tentativa de encontrar o seu espaço, outras se penduram e outras mandam lixo pela janela. As que seguem no passeio caminham com a dificuldade do tráfego, convivendo com toda a poluição que corre no ar, outras procuram desesperadamente um meio de transporte livre (num país com salários tão baixos e com tanto desemprego é comum as pessoas terem de se deslocar em transportes públicos) e uma minoria assiste pávido e sereno a todo este caos, com toda a normalidade do dia-a-dia, onde há sempre espaço para um cigarrinho e pedir mais uma moeda.


Depois de me instalar decidi que ainda era cedo (a diferença horária entre o Perú e Portugal é de 6h) e como comida de avião é só para quem quer manter a sua silhueta percorro as ruas que albergam edifícios coloniais misturados com construcções mais recentes. Por falar em colonialismo, há influências que até calham muito bem, em especial quando se tem muita fome...que rico pollo peruano, ou como se diz na minha terra, frango de churrasco.
Acabo a minha Cristal, a verdadeira cerveja peruana, e reparo nas horas...estou acordado há mais de 24..está na hora de regressar!

sábado, 11 de setembro de 2010

Voltei Voltei!!!!!



ZZZZZ...ZZZZ…ZZZZZZZ!!!
PST..PST…epá acorda! Já não chega de dormir?



Ora aí está a expressão que mais se assemelha ao estado de alma daqueles que ainda me perguntam se o rato deixou de ser saltitão...ou se estava apenas a dormir. Pois bem, e para tirar algumas dúvidas que possam existir, o vosso amigo está bom de saúde e recomenda-se. (pouco convencido este gajo..ou este rato). Durante todo este interregno no reino da blogoesfera não se andou a dormir, nem a hibernar e muito menos se andou quieto. Pode-se justificar esta ausência por uma preguicite que me assola no momento da escrita, por um molho de palavras que tardam em organizar-se ou pelo problema global do tempo. Sim..este calha a todos. Mas, como para todos os problemas há uma solução, houve espaço para umas boas saltitadas que vou tentar retratar, alguns episódios únicas que vou tentar transmitir. Desde descobertas e revivências nacionais como os parques nacionais da Arrábida e Montesinho, desde a costa alentejana até a Figueira da Foz, passando alguns meses pela nossa capital e pela imensidão do grande Alqueva e das vastas terras do interior alentejano, até a aventuras mais longínquas pelos canais de Amesterdão, a uma feira de Natal em Frankfurt, gelando num zoo de animais selvagens nórdicos na Finlândia e sentindo os contrastes de Granada e a Serra Nevada em Espanha e acabando com as aventuras além fronteiras europeias em Marrocos, nas praias de Pipa e Natal lá no calor do nordeste brasileiro, e culminando por mais um grande objectivo cumprido por terras altas e andinas, passou-se mais um ciclo, neste caso mudo, de encontros e desencontros.
Mas como em qualquer máquina, é necessário que haja um impulso de arranque para que as coisas tornem a rolar. Seguindo a analogia da mecânica e depois de olear bem todos os carretos surgiu esta viagem que funcionou como combustível para mais umas saltitadas que merecem ser transmitidas.



Neste caso e num novo formato, a pedido de várias famílias e para recomeçar em grande, transmitirei o diário de bordo que foi escrito durante 3 semanas de pura interacção, onde a magia única da América Latina me enfeitiçou e e fez-me desaparecer de um mundo chamado real e que me mostrou, aí sim, realidades que da mesma forma que nos fazem sentir mais humanos, traz ao de cima a animalidade e o confundir com a natureza, mostrando quão frágeis e pequenos somos neste universo terrestre que sonho em conquistar.

Estão todos convidados a embarcar comigo neste percurso entre Lima e Buenos Aires, que inclui cerca de 2000 Km de avião, 5000 Km de autocarro desde o luxuoso ao que demorava a arrancar, 1000 Km de Jeep e os restantes 2000 distribuídos entre táxis, barcos, comboios, funiculares, e muitos, muitos kilómetros a pé, muitos deles com toda a nossa mercadoria às costas. É a saga do mochileiro, do aventureiro, de quem procura experiências e não luxúria, de quem procura realidades e não tranformações de quem vive na adrenalina e é dependente do risco.
Mochila às costas, passaporte no bolso e dinheiro no outro, vamos daí levantar as vossas almas do sofá e percorrer comigo este dia-a-dia de pura abstracção e meditação, onde uma amizade ganhou mais umas raízes e a solidão teve pouco espaço, graças ao nosso companheiro Zé.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Entre o Minho e Trás-os-Montes

Com a passagem dos tempos o significado de certas coisas vai variando, pelo menos acontece muito comigo. As manhãs são um dos maiores exemplos disso mesmo, especialmente durante a semana. O nascer do sol, em tempos era visto como uma boa altura para ir para casa, sem antes passar pela pastelaria ou pela Tia Alice (quem percebe isto sabe o grande valor sentimental de uma sopinha daquelas com um verdadeiro panado). Hoje em dia, quando vejo o sol pela manhã, e se por acaso estou numa pastelaria, a ânsia é completamente diferente, porque o que eram a seguir oito horinhas de sono, passam agora a ser oito horas de trabalho, no mínimo. Mas nem tudo são pedras soltas num poço fundo, pois o ritmo semanal pode dar a oportunidade de, sem nos apercebermos estarmos acordados numa manhã de fim de semana, e sinceramente, que bem que sabe aproveitar uma bela manhã, solareira de preferência, para fazer o que mais se gosta. No meu caso e entre outras coisas aliei o meu gosto de viajar ao da natureza e rumei em direcção a um dos meus sítios preferidos para disfrutar desta aliança... A zona entre o Minho e Trás-os-Montes.
A primeira paragem foi em Fafião, freguesia de Cabril no Concelho de Montalegre. Aqui existe um trilho de construcção popular, que supostamente me levaria a usufruir da bela paisagem da peneda do Gerês. O supostamente claro, não coloca em dúvida a paisagem, mas sim o trilho, pois o que estava definido como indicador do percurso eram mariolas, mas destas nem vê-las, e acabei por criar o meu próprio percurso, o que me levou talvez a disfrutar, nem que seja da liberdade em escolher o roteiro. Por entre aldeias de pedra, antigos moinhos e lagares de azeite, ribeiros bravos e a paisagem sempre verdejante, caminhei sem destino, respirei bem fundo o ar puro que tão poucas vezes é usufruído, parei para observar, admirar e escutar...ou melhor por vezes e em certas partes o bom era mesmo não escutar, pois neste dia até a brisa falava baixinho.







Voltando à estrada, mas agora com todas as comodidades que o carro pode dar, ou não, vou até à capital do concelho para bem lá do alto junto às muralhas do castelo, ver o sol que acordou transmontano esconder-se no horizonte e adormecer minhoto. Nada extraordinário por estas bandas, pois o êxodo continua aqui bem patente, e por Portugal e por este mundo fora é com naturalidade que se encontra mais um transmontano. Que injusta e por vezes sem sentido é esta vida..vive-se sempre em busca de um bem-estar melhor, deixando por vezes lugares que acolhem os melhores bem-estares que se pode ter na vida!
O castelo de Montalegre, reza a história foi construído por cima de fortalezas romanas que por sua vez foram construídas onde se encontrava um castro do neolítico. Com esta descrição percebe-se a importância histórica mas também estratégica que este lugar teve ao longo dos séculos, e onde hoje não passa de um lugar de visita, onde se pode admirar, na minha opinião, um dos mais belos castelos de Portugal. Quem sabe, se um dia, não voltará a tomar a importância que teve no passado...







Segunda manhã, segunda manhã de sol, segunda manhã de sol que aproveito, segunda manhã de sol que aproveito mas desta vez bem no centro do Minho, na histórica e acolhedora Ponte da Barca, terra, mas não natal, do meu colega Jorge Barcas.. Jorge de Jorge, Barcas da Barca. E o que no início era para mim apenas a alcunha de um colega, passou a ser um dos meus lugares de eleição de passagem aquando das minhas visitas ao verde minho. Há quem diga também que Fernão de Magalhães cresceu por aqui, mas esta Barca não entrou pelo Pacífico nem deu a volta ao Mundo, apenas se limitava a fazer a ligação que era dividida pelo rio Lima. Até que chegou a famosa ponte datada do séc. XV e a união criou a passagem tão esperada mas também o nome de S. João da Ponte da Barca. Pelos vistos o S. João caíu algures na história, mas a Ponte essa continua e sem nunca se separar da Barca. Para além da ponte, as várias construcções feitas em granito, com os paços do concelho e o pelourinho a ver passar o Lima, a bonita igreja matriz, de S. João claro está, mais no alto, com a serra a fazer de pano fundo criam um verdadeiro postal de Portugal, e criam também um conjunto perfeito para um bom passeio a pé, pois só assim se pode admirar a beleza e tranquilidade que reluz nesta vila minhota.








O moinho concebido com o intuito de transformar o cereal em farinha, foi mais tarde aproveitado para criar energia...Pois vos digo, foi peça chave para renovar a minha! Passando a explicar, bem perto do rio existe um restaurante que se recomenda, e como os sabores da terra têm sempre prioridade, nada melhor que uma boa posta de carne barrosã assada na brasa, acompanhada por um bom verde tinto, bem fresquinho! Essa casa chama-se O Moinho! Pronto e mais não digo, porque depois deste almocinho estou mesmo pronto é...para dormir uma sesta!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mealhada - Na rota das maravilhas

Para regressar em força, vou falar de uma saltitada daquelas com bastante qualidade, daquelas que por vezes estão ali ao lado e não damos tanto valor por isso. Passei um dia no concelho da Mealhada. À vossa cabeça salta imediatamente o nome de leitão. Mas vamos deixar a guloseima para o fim do dia que ainda agora são 9h da matina. E que melhor forma de passar uma bela manhã de Outono, senão com um passeio pela serra do Buçaco. Uma serra com muita história e com muitas histórias, com lugares e sensações únicas. Para começar uma visita a um lugar que nasceu devido a uma grande história. Falo do Museu Militar que nasceu devido à batalha que aqui se deu lugar em 1810, entre as tropas de resistência anglo-lusas comandadas pelo Duque de Wellington e as tropas francesas comandadas por André Massena, o general que liderou as tropas de Napoleão durante a invasão ibérica. Pelos vistos os ingleses, povo com que mantemos o mais antigo tratado denominado por Windsor datado em 1310, unidos à raça lusa levaram a melhor e felizmente hoje em dia não estamos todos a falar francês, o que seria óptimo para algumas mentes brilhantes, mas não é essa discussão que aqui está em causa.
Depois das lembranças de guerra, a visita a um lugar de paz, a um lugar sagrado. O Convento de Santa Cruz do Buçaco, casa dos frades da Ordem dos Carmelitas Descalços que habitavam esta zona e foram os criadores das várias ermidas que se encontram espalhadas pela mata, assim como a Via Sacra, considerado por muitos por uma das mais verdadeiras e semelhantes com a original. De admirar os painéis de azulejo exterior e as várias decorações interiores feitas em cortiça, assim como a pequena igreja, lugar de culto e de promessas.
E como para passear é preciso energia, a primeira paragem será na sala de estar e jantar do Palácio Hotel do Buçaco. O conjunto do palácio de fachadas únicas, situado em plena Mata Nacional, rodeado por um belo parque e jardim coloca este sítio como referencia no mapa, um pequeno tesouro escondido e oculto nesta serra cheia de surpresas.











Um sítio perfeito para desabrochar a parte mais romântica vinda bem de dentro, um sítio que nos faz rever amores, que nos faz amar, e pensar nos próximos amores que virão. Por dentro do palácio podemos admirar obras de arte diversas, a maior parte delas alusivas aos descobrimentos e a certos episódios da grande epopeia portuguesa “Os Lusíadas”. Depois de um café adoçado com um doce regional chegou a hora do passeio pela mata com a visita obrigatória às Ermidas e a uma parte da Via Sacra (porque por agora ainda não é tempo de carregar com nenhuma cruz) e claro como não podia deixar de ser, ao Vale dos Fetos. Tenho que dizer que sempre que venho a esta serra e passeio por aqui sinto-me distante e tão perto, sinto-me rei e membro do povo, sinto-me presa e predador, sinto-me pré-histórico e homem do futuro, confundido neste vasto conjunto de vegetação única que me envolve a cada passo, a cada respiro. E em que paz eu me encontrava...sim, encontrava, pois chegou uma excursão de uma junta qualquer de um município mais para o interior..acho que chegou a hora de ir ao almocinho. Serra abaixo chego ao Luso. Entre as termas, um jardim e uma vista para o Lago, aqui está uma bela maneira de começar a tarde. A estadia seguiu com uma visita às termas e à fábrica de águas.











Mas isto de muita água dá-me sede, por isso e de regresso à Mealhada vou de visita às Caves Messias, com a oportunidade de prova de alguns dos seus espumantes e visita guiada ao seu processo de fabrico e armazenamento, assim como à parte de vinhos. Ai, depois de sentir tanta coisa na mata...agora sinto-me em casa!
E já que estamos numa de vinho, nada melhor que um passeio pelas vinhas parar o carro num monte, olhar em nosso redor e usufruir do pôr do sol. A hora da janta aproxima-se e claro, está na hora de pôr em prática o primeiro pensamento e comer um bom leitão, sem deixar de provar o arroz de cavidela de leitão e claro o pão da região regado por um bom vinho ou espumante da Bairrada.





E assim se passa um dia cheio de diferentes sabores e sensações, sem ter que viajar muito e aproveitar o que a nossa terra tem de melhor. A Câmara Municipal criou uma iniciativa para promover o que melhor tem a região e denominou-as por “As Quatro Maravilhas da Bairrada”, e são elas a àgua, o pão, o vinho e o leitão.
Eu posso dizer que passei um dia de maravilha, sem ter deixado de estar e usufruir das 4 maravilhas... assim como mais algumas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um Ano Saltitante!



Caneta, papel, um pouco de tempo livre e algumas saltitadas não relatadas. Aí está o mote mais que suficiente para voltar a estar presente com algumas histórias no ambiente cibernauta. Mas, existe uma razão ainda mais forte. O Rato Saltitão foi criado há um ano, precisamente no ano do rato, seguindo a filosofia chinesa, embora idealizado e com alguns manuscritos já presentes alguns anos antes. Quando revejo, releio e relembro tudo o que se passou ao longo desta temporada, todos os locais que visitei, pessoas que conheci e amigos que fiz tenho uma ideia que o espaço temporal foi muito maior... e mesmo assim aquela sensação que mais poderia ter feito, continua a pairar sobre mim. É essa forma de estar, esse não conformismo que tem motivado a maioria das minhas decisões. Encaro-o com muito positivismo, embora às vezes me traga pequenos “dissabores”, chamemos-lhe assim. É a moeda de troca que está sempre presente nas nossas vidas, que faz com que o ser humano nunca esteja satisfeito. “Sigo pela esquerda..este será o melhor caminho para mim!” Embora alguns quilómetros adiante, não existe condutor que deixe de pensar, como seria se tivesse seguido pela direita, especialmente se o caminho que seguiu começa a ficar sinuoso e com algumas barreiras. Nesse momento, e dependendo do passo tomado a seguir, são diferenciados e caracterizados os vários viajantes desta pequena jornada. E como pelos vistos não somos todos iguais (e que boa qualidade da raça humana) os caminhos divergem e o que era uma viagem passam a ser múltiplas viagens, todas com o mesmo destino mas caminhos bem diferentes. Felizmente ainda não existe GPS que nos indique qual o caminho a percorrer, e a vida continua a ser uma fonte de surpresas e desafios, embora se viva numa sociedade cada vez mais comandada e manipulada. Continua-se a usar o próximo objectivo como próximo destino e a intuição como antena para o navegador. E para mim, um caminho sem destino é como bacalhau sem sal, café sem cafeína ou cerveja sem álcool (perdoem-me as comparações culinárias mas é hora do almoço e uma parte de mim chama para outro destino). Contudo, e como na comida, gosto de variar, o que é bom e aconselha-se... Apanhar um pequeno atalho que nos leve a lado nenhum, ajuda a aliviar a carga de caminhos mais longos e faz-nos conhecer lugares, que de outra forma nunca seriam visitados.. e que boas supresas às vezes nos podem trazer...mas sem nunca perder de vista o caminho a retomar!



Numa forma de celebração e actualização deste pequeno espaço saltitão, vamos lá então, de pé entre pé, mão entre mão, relatar algumas passagens passadas, com a esperança que muitas mais virão e que nunca as escrevirei em vão!

domingo, 12 de outubro de 2008

Entre a ribeira do Porto e o cais de Gaia

A minha ausência no mês de Setembro diz tudo. Infelizmente, o tempo para me dedicar à minha “second life”, mas esta bem real (não confundir com ambientes virtuais), tem sido bastante escasso, ou mesmo nulo. Mesmo assim arranjei um tempinho para dar umas saltitadas pelo nosso país, agora que estou numa de Portugal. Neste post falo-vos de um sítio que no mínimo considero místico. Um sítio, em que a obra da natureza e do homem se confundem na paisagem, criando em uníssono mil e uma imagens dignas de centenas de quadros, fotografias, postais ou apenas memórias visuais, pois quem vê nunca esquece. Falo-vos da foz do rio Douro, onde a ribeira do Porto e o cais de Gaia se defrontam frente a frente e em que as ligações se ficam pelas pontes... E que pontes!!!







Neste momento são seis pontes, cada uma com o seu estilo e próprias da sua época. Sem querer tirar a virtude das pontes mais modernas, que embora de beleza diferente são excelentes obras de engenharia vou-me focar nas mais antigas e de construcção metálica, a ponte de D. Maria e a de D. Luiz I. A primeira já sem circulação, é uma divulgação das muitas obras do Eng. Gustavo Eiffel e a segunda, onde o tabuleiro superior foi ocupada pelo metro de superfície e o inferior serve para a circulação rodoviária é uma obra com anteprojecto do Eng. João Joaquim de Matos. Agora que a circulação sobre o rio está definida, está na altura de navegar no rio propriamente dito. E que melhor manifestação das velhas oficinas do Porto do que um belo barco rebelo? Belo pela sua forma e elegância, mas não menos belo pelo trabalho que ao longo dos séculos abraçou, trazendo o suco doce e jovem do nosso tão querido vinho do Porto, amado e apreciado além fronteiras, rio abaixo até aos armazéns de Gaia, onde depois o tempo trata de amadurecer e envelhecer, até chegar ao nosso cálice. “Á nossa”, digo eu em português, “Keep Peace”responde-me o Arto em suposto finlandês...






Sentado numa esplanada do lado de Gaia, é espantoso como a cidade do Porto se apresenta. Mas hoje para além das pontes, dos barcos rebelos e da cidade, milhares de pessoas descem às margens para ver aviões...é o Red Bull Air Race no seu melhor, e sem dúvida não é o Douro que tem de se sentir orgulhoso por um evento assim, mas sim o evento que se deve orgulhar por poder passar por um sítio tão especial.






O último avião já passou, a multidão já se foi, mas felizmente todo o resto fica. E num excelente dia de sol como este nada melhor que dizer á boa maneira do norte ...”Mais um fininho ser faz favor”.
Não quero mesmo sair daqui, dá vontade de ficar e ficar...ainda bem que vim de comboio!